Privilégio também é corrupção

No Brasil, empregos públicos são oferecidos a políticos que não são eleitos pelo voto. São aqueles que perdem nas urnas, mas precisam da proteção ou ocupação que lhes dê status. Ou, de outra forma, uma posição que os faça ter condições de atender pedidos dos padrinhos em favor de possíveis eleitores no futuro.

É de fato um país-piada. E nós somos os bobos da corte. Um país formado por um corpo político sem vergonha e inescrupuloso, capaz de varrer a população para baixo do tapete para não ser visto, mas para ser pisado. Num corpo político toda a família é formada por políticos. Uma geração após outra de profissionais “bem-intencionados” em olhar cuidadosamente o cofre e os recursos públicos.

Desprovido de qualquer recurso, o brasileiro está entre a informação e desinformação sobre a classe política. Vive entre aquele grupo que se diz “inteligente” para não escolher o político de direita (o coiso), mas defende e abraça os ideais de um político da esquerda (a coisa). A desinformação está justamente em não deixar claro de que um lado ou outro são tão corruptos quanto os velhos políticos da elite brasileira.

Por isso, somos um país de 10% de privilegiados. Uma classe que usufrui do fundo monetário infindável, recursos disponíveis no cofre do Estado que arrecada bilhões de reais em impostos. Dinheiro público desviado pelos ralos do poder em suas instâncias municipal, estadual e federal. Privilegiados que se aproveitam da desunião da sociedade, manipulada por discursos de direita e esquerda que querem ser parte da mão que apanha o que puder do pote de ouro.

Esses privilégios custam bilhões de reais em salários e benefícios posteriores, como as aposentadorias integrais, cumulativas, tendo em vista uma legislação que favorece os políticos e seus amigos. Enquanto isso, esses amigos de segunda ou terceira categorias são empossados como ministros, diretores de estatais, secretários e vão lá muitos outros cargos privilegiados.

Por causa destes cargos consideram-se acima da sociedade que lhes paga o grosso salário a ponto de discursar em louvor a um presidiário, já condenado em segunda instância, como ocorreu na posse do ministro do TCU. É uma cuspida na cara do povo, na cara de um povo sem cara, pois não reage e permanece em suas disputas direita-esquerda, do coiso (Bolsonaro) e da coisa (Lula).

Assim, nada é exigido de um reles ministro do TCU que defende um presidiário. Cospe na cara do povo e das instituições. Os demais ministros fazem cara de vento. É a demonstração de que as instituições, mesmo as acessórias como o TCU, de nada valem, tampouco os que dele fazem parte, afinal, são todos farinha do mesmo saco.

Da mesma forma, nada foi sequer comentado ou cobrado de um ministro do STF que não conseguiu ouvir um contraditório e mandou prender. De fato, estamos num país em que se houver algum direito não será jamais daquele que ousar uma crítica as autoridades, especialmente daquelas que abusam, usam de seus privilégios para mostrar a força ou poder de seus cargos.

São exemplos típicos de que o brasileiro é realmente um povo “inteligente”. Somos capazes de ver essas sandices e continuar quietos, impassíveis, torcendo para a direita ou esquerda, defendendo ambas, cada lado na sua “inteligência”, incapaz de perceber que a democracia, as liberdades e o direito já foram há muito transformados em prol de uma casta, chamada política, chamada jurídica e pública, despreocupada com o que se passa na casa do trabalhador. De um ou outro lado, a única coisa que lhes vale é dinheiro que paga os altos salários e todas as suas mordomias.

Um País caro para o cidadão. Um país de privilégios demais para despreparados em todos os níveis. O privilégio também é corrupção, porque é ele que faz existir diferenças entre as classes. O privilégio empurra a classe mais necessitada cada vez mais para baixo. Só se justifica para existir programas sociais para onde o dinheiro circulará, mas será desviado para reforçar o status social de uma classe sem caráter e demagógica.

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