Após manifestações, governo quer diálogo?

Manifestações pelo país movimenta mais de um milhão de pessoas

Manifestação na Paulista, em São Paulo

Manifestação na Paulista, em São Paulo

Em pronunciamento no início da noite deste domingo, os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o secretário-geral da presidência, Miguel Rosseto, tentaram explicar o inexplicável. Um tentou conciliar enquanto outro, mais escroque que nunca, defendia o governo e partia para o ataque aos milhões de brasileiros dizendo que “estes claramente não são eleitores da presidente Dilma”. Ora, um governo afundado em denúncias de corrupção deveria ouvir o clamor da sociedade e dizer que tomaria atitudes para implementar a busca e repatriação do dinheiro desviado da Petrobrás, além de punir exemplarmente os culpados, inclusive os petistas que foram  envolvidos, como o João Vaccari Neto, em vez de ainda mantê-lo no cargo de secretário geral do partido.

Enquanto porta-vozes, tanto Cardozo como Rosseto fizeram um papel pífio de representantes do governo federal, que está acuado diante de tantos problemas e que não tem respostas para a sociedade, principalmente quando se tenta explicar a corrupção instalada na Petrobrás e em quase tudo onde o governo está presente e a forma como a política econômica vem sendo conduzida, desde que o partido assumiu o poder. Ouço diariamente as impaciências de petistas apaixonados, que dizem que os governos Lula e Dilma abriram as portas aos pobres, dando-lhes chances e oportunidades nunca antes dadas.

Considero importantes as medidas que possam ajudar aqueles que, verdadeiramente, estão abaixo da linha da pobreza. Mas, dar a todos aqueles que supostamente são pobres, bolsas de todas as espécies, simplesmente, por um discurso de igualdade, não é o certo. Desde quando morar em uma casa de um cômodo é ser pobre. Vivi a vida inteira em um casebre com três irmãos. Pai trabalhador e mãe idem. Fizeram o possível e o impossível para dar-nos educação e condições para que buscássemos, nós mesmos, sem um centavo do governo (por meio de bolsa de qualquer tipo) nosso crescimento como pessoas e cidadãos. Um governo sério e dedicado ao coletivo, daria infraestrutura às cidades carentes. Daria saúde e educação aos mais carentes, especialmente visando que essas pessoas busquem melhorias, a partir daquilo que o governo oferecesse: preparo ideal para sobreviver em um mundo onde a competitividade é o barco principal.

Digo sempre que o governo do PT dá esmolas para tornar as pessoas mais carentes (que realmente precisam) e outros que poderiam muito bem aprender a correr atrás do seu, dependentes químicos das tais bolsas de todas as espécies. Um povo que tem tudo dado de mão beijada só tem um pensamento: curvar se diante de seus governantes, tal qual fazem os cidadãos venezuelanos que louvam Nicolás Maduro como um semi-deus, protetor dos fracos e oprimidos pela classe média ou pela classe do andar de cima. “Santa ignorância”. Não é a toa que, em países em que o povo é dominado pelas ajudas do Estado, os seus governantes impõem o que bem entendem. Caso da inóspita lei anti imperialismo criada pelo presidente Maduro, dando-lhe poderes para governar sem necessidade de aprovação pelo Congresso.

Ao tentar explicar as manifestações e o posicionamento dos brasileiros que cobram atitudes, os ministros do governo  limitaram-se a dizer que o governo está “aberto ao diálogo”, tanto com opositores como com os favoráveis ao PT. Que estão esperando propostas e sugestões para dialogar e a repensar as medidas que conduzem o país. Por essa razão, fiz as minhas primeiras postulações para um “diálogo” honesto, que busque saída para os problemas financeiros do Brasil, além de fazer muita economia e sanar a grande dívida pública, principal causadora da atual crise econômica do país.

Minhas propostas foram postadas no Facebook. Assim – quem sabe – elas chegam ao governo. Afinal, não sou político e tampouco tenho amigos políticos no PT, apesar de alguns amigos – pessoas que considero inteligentes – apoiarem um governo corrupto com a simples frase comparativa de que: “todos partidos são ladrões.” Mas deixar que um só, nos represente por anos a fio, é uma burrice sagaz.  Me faz refletir sobre as verdades por trás dessas declarações. Não estão refletindo com sapiência. Talvez, por doença mesmo, chamada petismo. Quem sabe, eles levem minhas propostas de diálogo aos digníssimos ministros e ao Governo. Então, republico-as aqui:

Para começar o diálogo, gostaria de pedir uma atitude para por fim às mordomias de políticos: deputados federais, senadores, prefeitos, governadores, deputados estaduais, vereadores e juízes de todos os tribunais, rebaixem os salários e as mordomias dessa turma. Que tal propor, de verdade, o fim de todas as verbas de representação de políticos e ou representantes dos governos? Vamos implantar a prisão perpétua para “crimes de colarinho branco”. Quem sabe assim, em vez de roubar os pobres enquanto concede bolas de todos os tipos, os políticos ladrões (de todos os partidos, é claro) cometam suicídio em vez de pegar a perpétua? Quem sabe os ladrões da Petrobrás, incluindo os ptralhas citados nas denúncias, sejam presos e devolvam (ou repatriem) o dinheiro desviado.

Para mais uma rodada de diálogo, como cidadão que vive cercado de questionamentos sobre minhas declarações de renda, gostaria de saber como é que alguém de agora “família importante” não declara de onde conseguiu dinheiro para passar de catador de bosta à investidor de um dos maiores grupos de investimento do país e dono da JBS. Convenhamos, são questões cujas respostas são difícies, ainda que todos que fazem parte desse governo já tenham uma resposta pronta para ser repassada. Afinal como dizem, partidário político é como marido traído: a gente mostra, repete, grava, filma, apresenta provas, depoimentos, escreve a+b, mas o cara não acredita. Pior, ainda nos acusa de demolidores de lares.

Por fim, gostaria de falar dos investimentos feitos pelo BNDES em construções de refinarias, barragens, portos e aeroportos em países vizinhos. Em alguns deles, caso da Bolívia e Equador, a construtora envolvida no Petrólão (Odebrecht) foi expulsa enquanto as instalações transformadas em patrimônio do governo desses países. Como empresário estou há 10 anos na fila de um cartão do referido banco e sequer tenho acesso a um empréstimo para pagar com juros e o que me cobrarem, pois sou honesto e pago minhas dívidas. Porém, o retorno que equatorianos, argentinos, venezuelanos, panamenhos, bolivianos e peruanos dão ao Brasil deve ser bem maior. Acho que eles até pagam dividas, geram empregos e recolhem impostos muito mais do que minha pequena empresa faz.

Então, ponham ai no diálogo que eu quero ter com vocês do governo federal!!! Agora a pergunta: quando vão abrir o diálogo comigo?