SELIC volta a subir. As empresas que se cuidem!

moneiCerca de 80% dos brasileiros ainda estão anestesiados em relação a situação economica e sobre o que planeja PT e companhia limitada para o Brasil. Um dos fatos para esse anestésico fazer efeito durante tanto tempo é que o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva e seus companheiros de partido montaram um bem fadado programa de campanha política e deu sequência ao bem planejado esquema de anestesia aplicado no governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso.

Se, por um lado, FHC conseguiu amainar o dragão que assombrava o bolso do assalariado (principalmente) e reverter o quadro econômico, as práticas de seu governo, especialmente as políticas, foram tão impositivas quanto as dos governos posteriores. O fato é que o PT conseguiu se apropriar muito bem dos programas sociais e ampliá-los para manter-se devidamente apoiado pelos 80% da população que, neste período, pós FHC, conseguiu chegar ao consumismo.

Só agora, com a inflação cada vez mais forte nas prateleiras, o povo começou na reduzir os gastos e olhar com mais cautela a situação de sua economia doméstica. Também só agora, as primeiras falas contrárias ao que se intitulou governo Para Todos começam a pipocar. Porém, as reclamações ainda são tímidas, poucos falam em mudar de governo, já que apesar da inflação, da escalada dos preços, o trabalhador ainda está feliz, sonhando com um financiamento a longo prazo para conseguir seu carrinho zero quilômetro ou sua casa própria,

Assim, pouco se ouve e pouco se lê e termos de contar a verdade sobre como a população é roubada. Se um lado está sob a mira dos bandidinhos que roubam para queimar crack nas esquinas das grandes cidades, por outro, está sob os cuidados das máquinas que aumentam impostos, taxas públicas para sanar a dívida (cada vez maior também) do poder público.  Por isso também, as taxas para tentar conter a inflação e as medidas governamentais para tal – apesar das “mantegadas” – continuam a não surtir efeitos. Digo “mantegadas” porque o minsitro Guido Mantega é o que efetivamente complica mais que resolve, uma hora é boa a perspectiva de crescimento, para depois dizer que serão atingidas não nos índices esperados para depois dizer que sequer vamos atingi-las.

Enfim, o artigo de Paulo Sérgio de Moraes Sarmento, com o título Selic volta a subir. As empresas que se cuidem! pode mostrar como os juros corroem salários, poder de compra e, podem, sorrateiramente, diminuir lucros das pequenas e médias empresas. Como eles estão subindo e devem continuar subindo sabe lá até quando, o economista fez uma análise sobre o tema e que reproduzo para vocês leitores aqui no “Teorizando”.

Leiam:

As expectativas são de que a SELIC ainda suba além dos atuais 8% nas próximas reuniões do COPOM – Conselho de Política Monetária. A justificativa para essa escalada é o duvidoso combate à resistente inflação – e sem esquecermos que o país está em campanha eleitoral.

Elevação de juros é tratamento pesado para qualquer economia porque torna a vida mais cara, reduz o consumo e desencoraja os empréstimos. Se é uma das soluções para reduzir a inflação? É, porém depende de vários fatores conjunturais. É uma medida extrema que mexe com os mercados, mexe com as empresas e tem como finalidade reduzir ainda mais o nosso pequeno crescimento. Lembrando que beneficia, sem dúvida, o mercado financeiro – bancos e investidores.

Mesmo quando, recentemente, tivemos a queda dos juros por imposição do governo federal, ainda assim continuamos com as maiores taxas de juros do planeta. Um dos principais itens do elevado custo Brasil e que agora é mais uma vez agravado.As empresas precisam fazer a sua lição de casa para manter a competitividade e sobrevivência numa situação adversa como essa, de custos financeiros subindo com os seus efeitos colaterais.

Sempre oriento, como regra geral, que fiquem constantemente de olhos em seus custos, todos eles, em especial os juros. Estes corroem o lucro e são os que menos recebem atenção como deveriam nas empresas, sejam elas capitalizadas ou não. Juros são custos como quaisquer outros e costumam ser invisíveis aos olhos voltados para outros focos e prioridades, principalmente nas pequenas e médias empresas. Incidem em todos os níveis da operação. Dou alguns exemplos:

Quando o prazo médio de recebimento das vendas é superior ao prazo médio dos pagamentos, precisamos de capital de giro. Pagamos juros nos empréstimos ou perdemos aplicações na diferença desses dois prazos. Esse custo deve ser calculado;

· – O giro lento do estoque represa capital empatado e, novamente, perdemos aplicações ou pagamos juros. Custo que também deve ser calculado;

· – Despesas desnecessárias com mordomias, afrouxamento nas despesas, desperdícios de materiais, de insumos, o hábito de restaurantes caros, viagens que podem ser evitadas, ineficiência de processos, funcionários em excesso, enfim, uma longa lista tão comum que geram custos adicionais e, portanto, mais juros;

· – Baixa produtividade. Funcionários melhor preparados e melhores processos produzem mais por hora, reduzindo custos e juros; 

· Falta de controle na qualidade gera refugo ou obriga a que se refaça o mal feito. Prejuízo em tempo, insumos, mão de obra e materiais. Mais juros.

Quando uma empresa está descapitalizada, até um copo de água ou uma lâmpada acesa representam custos financeiros. Claro que ninguém irá restringir a água para se beber, ou trabalhar às escuras, mas num conjunto das chamadas pequenas despesas como copinhos descartáveis, cafezinhos, luzes acesas sem necessidade, uso indevido de telefones e outros gastos, tudo contribui para o aumento de custos e juros. Tudo isso sai do lucro!

É uma luta diária: inovar, cortar gastos possíveis, rever estratégias e objetivos para que a empresa defenda o seu lucro, razão única da sua existência, da sua perenidade e responsabilidade maior do empresário. Quem dirá em tempos de SELIC nas alturas…

Paulo Sérgio de Moraes Sarmento é economista e sócio da VSW Soluções Empresariais.

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