Cumprir a Justiça

presoA criação da mídia para o efeito responsabilizador, de cumprimento da justiça. É assim que o espetáculo se forma e se transforma. A mídia, liberada para mostrar o Juri em Guarulhos sobre a morte de Mércia Nakashima e que condenou Mizael Bispo pelo crime, pode mostrar como as partes debatem se o réu é acusado ou inocente e também como somos atrasados em termos de leis. Os debates entre acusação e defensores mostraram o quanto somos um país de terceiro mundo e, em especial, como estamos mal de Justiça.

Gil Rugai, sentenciado como assassino do próprio pai e da madrasta, saiu pela porta do Tribunal, a mesma por onde entrou. Apesar da condenação, está livre e permanecerá livre usando o dinheiro do finado pai, já que o irmão de Gil Rugai não o considera assassino. Por isso, poderá, inclusive, beneficiar-se dos recursos deixados por aquele. É a Justiça é realmente cega. Para o ladrão de galinhas ou um pedaço de carne, de um pacotinho de bolacha no supermercado, cadeia; para o riquinho, matador e assassino, que usa o dinheiro de quem matou, pena branda.

Me lembro daquele juiz do TRT, o Nicolau. Para ele também a cadeia ficou no pau, pau. Ninguém viu, ninguém cobrou. Os anos de juizado trabalhista lhe deram status que a lei não pode atingir, Além da prisão domiciliar, em razão da idade, ficou com os milhares de reais desviados das obras. A família do Nicolau, bem ou mal, sabendo ou não, deve estar aproveitando agora do dinheiro advindo do golpe na construção do prédio do Lalau, como ficou conhecido o local onde hoje funciona o Tribunal regional Trabalhista de São Paulo.

E a Richtofen? Bem, os irmãos Cravinhos – namorado e ex-cunhado da mocinha rica, bem educada, já estão passando do regime fechado para o semi-aberto. Vão trabalhar durante o dia e voltar para a cadeia durante à noite, se voltarem. É mera suposição de que houve justiça. Os corpos do pai e da mãe da “boa moça” sequer completaram a decomposição e os matadores já estão fora da cadeia, no olho da rua, e a dívida para com a sociedade paga.

Gente que mata, com requintes de crueldade, fica somente alguns anos presa e depois é solta logo na primeira avaliação de bom comportamento. Eu entendo como bom comportamento aquele que deve ser demonstrado aqui na sociedade: trabalhando, estudando, produzindo algo de bom para os demais, compartilhando conquistas, sucessos.

Tirar a vida de alguém, seja por necessidade, desespero, depressão, doença, raiva, amor demais, qualquer espécie, deveria ser rigorosamente punida. Nos casos em que o bandido – quando pratica um assalto com ou sem reação da vítima – decide se o homem de bem deve morrer ou viver, a punição deveria, inescrupulosamente, se dar da mesma forma. É o pagamento da dívida de forma igualitária, nivelada pelo que a vítima, sua família sofre.

Primeiro para acabar com o crescimento dos adeptos ao crime, transferir para os familiares de bandidos ou para ele próprio, se não condenado a pagar na mesma moeda a violência praticada contra a vítima, devolver à família da vítima aquilo que seria produzido por ela, se ainda estivesse viva. Segundo, o benefício deveria ser pago pelo tempo em que a vítima poderia produzir em razão de suas atividades, preparo, qualidade de trabalho e dedicação, além, é claro, de sua saúde.

É injusto que pessoas de bem saiam de casa para as atividades diárias e percam a vida na esquina, por causa do tráfico, da preguiça, da vadiagem. É injusto que casas sejam invadidas por ladrões (menores de idade ou não) e ocorram ameaças, abusos, agressões, tortura psicológica e ainda saber que, se eles forem presos, poucos dias depois estarão lá novamente, com o direito de decidir pela sequência ou não do dia a dia daquela família.

Quem tem o poder de decidir pela “pena de morte” não deve temê-la. Muito pelo contrário. Se alguém sai empunhando uma arma pelas ruas das nossas cidades, prontos para executar o primeiro homem de bem que topar diante de si para tomar lhe algumas migalhas, deveria ser pingindo a enfrentar a mesma violência praticada e a ressarcir os danos na mesma moeda, literalmente, em sentença e monetáriamente.

É incrível como ninguém defende as pessoas de bem na sociedade brasileira. Os homens e mulheres de bem…Estes, são os que trabalham, estudam, dão duro para criar os filhos, educá-los, colocá-los no caminho do bem. Esses não tem ONG´s, não tem representantes de Governo, da Justiça ou da política para defendê-los. Se morrem, foram vítimas da pobreza, da falta de educação, das oportunidades, não daquele que invade as casas, que aponta uma arma para sua cabeça e do nada, dispara, sentenciado à pena de morte um pai, um irmão, um amigo, um companheiro, uma mulher, uma esposa, uma filha, uma amiga.

O direito de fazer a”fita” é mais garantido que o direito de ir e vir do trabalho. O direito a vagabundear pela cidade à procura de vítimas é garantido, o de ir e voltar do trabalho não, de ir e vir com tranquilidade não. O direito de lucrar aplicando golpes, roubando, furtando, matando é garantido, o direito á vida, não.

A morte é apenas uma consequência, uma sentença dada. Só depende da sociedade decidir se ela será apenas atributo de quem está fora da lei, ou se nossos representantes no Congresso vão tomar vergonha na cara de fazer uma reforma educacional para valer ou punir, dentro da lei, com a mesma sentença de morte os matadores que se proliferam pelo Brasil.

Salve!