A saúde no Brasil sangra…

hospitais lotadosCada dia mais eu vejo notícias absurdas sobre o que acontece no setor de saúde no Brasil. Não há desculpas para o descaso das autoridades municipais, estaduais e federais sobre o como se encontra este setor no País e, principalmente, o descalabro no atendimento.

Pronto-Socorros cheios, gente pelos corredores, gente jogada como animal pelos cantos, se remoendo de dor e morte por falha médica. isso é o que vemos no noticiário diariamente, sem falar nos erros cometidos por gente despreparada ou mesmo sem nenhum preocupação com a vida alheia. Chegamos a este ponto. se por um lado a violência nos mata nas ruas, do outro morremos se entrarmos num hospital. “Estamos nas mãos dessa gente”.

Seis diagnósticos

A família de Kayque Sotero Costa, de 18 anos, viu o garoto ser diagnosticado, primeiro, com gases. Depois, pedra nos rins. Apendicite. Gastrite. Falou-se, ainda, em dengue hemorrágica, até se chegar a leptospirose, conforme laudo expedido pelo Instituto Adolfo Lutz após a morte do jovem. Ainda assim, parentes não têm certeza do que houve. O garoto foi atendido nos prontos-socorros da Zona Noroeste e Central e morreu em 27 de junho. Na época, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que esperaria o resultado final do Serviço de Verificação de Óbitos para se manifestar.

“Ninguém soube nos informar nada”, afirma a irmã de Kayque, Wishing Naiara Sotero Costa. Ela lembra que, quando chegou para visitá-lo, o garoto estava ensanguentado. A irmã conta que ele vomitava sangue, mas ninguém o limpava. Ela o fez com a toalha que usou para secar as lágrimas na sala de espera. “Estamos sem resposta. No dia 20 de outubro ele faria 19 anos… Tenho um irmão que tentou suicídio, meu pai não levanta da cama. Minha família está acabada”, relata Wishing.

Parto

Outro mistério é o caso de Pâmela Andressa Corrêa da Silva, de 19 anos, que morreu no Hospital Guilherme Álvaro, dias após dar à luz uma menina. Ao verificarem que os batimentos cardíacos do bebê estavam alterados, os médicos resolveram fazer o parto rapidamente. Até aí, segundo a família da garota, o pré-natal não apontara nada errado, e ela havia chegado ao nono mês de gravidez sem problemas.

Dois dias depois, Pâmela começou a sentir fortes dores na barriga. O primeiro diagnóstico, segundo a família, foi de gases, mas a situação se agravou. No dia seguinte, a jovem foi levada à UTI, onde passou por uma cirurgia para a retirada do útero. Morreu. “Minha filha já caminha no andador, tem dois dentes de baixo, dois estão nascendo em cima, e nós não temos nenhuma resposta”, lamenta o viúvo,Willen Carlos Corrêa. Eles namoraram por seis anos e eram casados havia 18 dias. “Acho que foi negligência”.

Uma reposta e dois mistérios a resolver

A Secretaria de Saúde de Santos confirmou para A Tribuna que a causa da morte de Kayque Costa foi uma hemorragia pulmonar bilateral extensa, em consequência de leptospirose. Porém, foi uma manifestação incomum da doença. “Ele foi atendido, medicado e passou por exames todas as vezes em que procurou os prontos-socorros da Zona Noroeste e Central. Apresentou sintomas atípicos à leptospirose, como dores lombares, estomacais e febre, comuns a várias doenças”, afirmou a secretaria, em nota, justificando os vários diagnósticosdados. Para apurar o caso, a Secretaria de Saúde de Santos abriu sindicância administrativa, na qual “foram ouvidos todos os profissionais envolvidos na assistência, além de familiares do paciente. Concluiu-se que não houve indícios de irregularidades”, afirmou a secretaria, em nota.

Ainda incertos

Sobre os casos de Iria Fátima e Pâmela Andressa, as famílias ainda terão que aguardar por respostas. De acordo com a Secretaria de Saúde de Santos, Iria deu entrada em 5 de outubro no PS da Zona Noroeste, sendo prontamente avaliada por psiquiatra da unidade e internada em seguida, com toda a assistência necessária. Quanto à causa da morte,espera o laudo conclusivo de óbito do Instituto Médico-Legal (IML), que emitiu declaração inicial de morte por causa indeterminada.

Quanto à solicitação de cópia do prontuário médico, a liberação somente pode ocorrer por decisão judicial ou requisição dos conselhos Regional ou Federal de Medicina, explica a secretaria. A razão da morte de Pâmela, após o parto, também permanece misteriosa. De acordo como diretor do Hospital Guilherme Álvaro, Ricardo Hayden, ainda não é possível afirmar o que aconteceu com ela. Ele explica que todas as mortes que suscitem algum questionamento são investigadas pelo hospital, com a análise de uma equipe multidisciplinar. Avaliam-se desde o aspecto clínico do paciente até o atendimento prestado no hospital. É por essa apuração que passa o caso do óbito de Pâmela.

E isso é apenas uma parte do que realmente acontece por esse Brasil afora.

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