Juri do espetáculo

ApertosA notícia sempre causa um certo espanto, especialmente aquelas inesperadas. Mas, no caso do Júri de Mizael Bispo, aquele ex-PM, advogado, acusado de ser o responsável pela morte da ex-namorada Mércia Nakashima, transformou-se num verdadeiro show para as câmaras de televisão instadas a transmitir, com autorização do juiz, todo o Tribunal.

Aproveitando a oportunidade, os advogados do réu tentam, de todas as formas, aparecer mais que o necessário, chamando, descaradamente e vergonhosamente, a vítima (assassinada) de ex-garota de programa. Ofendem a integridade da vítima, que não pode se defender. Tudo para libertar o réu.

Estamos num país de bandidagem explícita. Se Mizael é ex-PM, que faz alojado no Présidio Romão Gomes, da PM? Se o Estado não tem celas para bandidos com curso superior, que providenciasse. Oras, Mizael não é melhor que qualquer outro acusado ou réu, preso, com nível superior. Portanto, que ele fosse encaminhado para os lugares certos e ficasse sob a custódia da Polícia Civil, se fosse o caso, mas não entre seus pares, muitos se mostrando verdadeiros “amigos” do réu. É a representação pura do Estado (policiais militares) de braços dados com a bandidagem (Mizael).

Muito me admira os policiais militares, incumbidos de levar Mizael ao Fórum de Guarulhos, dando tapinhas no ombro do réu, calorosos abraços e apertos de mãos. Será uma demonstração de poder do acusado? Pelas amizades e pela circulação entre tantos homens “fardados”, capazes de promover o espetáculo com suas manobras na contramão, sobre calçadas, para levar Mizael até o fórum de Guarulhos, eles podem, amanhã, representar seus interesses pessoais, já que ele deverá, e assim a sociedade espera, ser condenado.

O poderio, como já foi demonstrado inúmeras vezes, pode ser entendido pelos telefonemas dados à família da vítima com ameaças veladas e outras tantas de forma direta. A ameaça contra a família é uma das formas que comparsas do réu teimam e insistem em fazê-lo, pois amedronta e coloca todos sobre um estresse constante. Os “correlegionários” podem muito bem executar, sob muitos aspectos, essas ameaças já que os “grupos de extermínio” existem, estão ai diante dos olhos de autoridades que se mantém cegas, surdas e mudas.

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