Hora extra é bom demais

Dinheirinho de horas extras não cumpridas enche bolso de funcionários do TSE

Dinheirinho de horas extras não cumpridas enche bolso de funcionários do TSE

Especialmente quando quem tem o controle do sistema de pagamento de horas extras pode burlá-lo sem que ninguém possa verificar, de fato, se a pessoa tem ou não direito de receber o valor correspondente. 

Este é o Brasil que a cada dia mostra de verdade sua cara. O serviço público brasileiro é ruim. Aqueles que realmente fazem algo ou desempenham seu papel como servidores em prol da sociedade são, na maioria da vezes, esculachados pelos chefes, superiores ou mandatários. Aqueles que pouco fazem, mas ficam controlando os demais, que vivem fazendo intrigas, prestando um péssimo serviço e fazendo política, arranjando intrigas, para que os bons funcionários serem demitidos ou não tenham chance de subir na carreira , são os privilegiados.

No nosso Brasil querido é assim. Quem é fora da lei tem tudo. Fora da lei como os bandidões que matam e decretam pena de morte às suas vítimas e depois vai ficar atrás das grades (quando vai) por algum tempo ou esses ocupantes de cargo público que desviam dinheiro, sacaneiam o Estado e levam o dinheiro da sociedade para suas contas particulares e saem pela porta da frente de suas seções e vão tranquilamente curtir o dinheirinho surrupiado, alguns milhões de reais, transformados em dólares em paraísos fiscais e sequer são punidos ou presos (que seria o lugar certo para quem se apropria de dinheiro público).

Infelizmente é a nossa atrasada lei. Aquele trio que atirou contra um motorista em plena via pública na cidade de Diadema (veja imagens na reportagem da TV Record) decretou a morte de Ronaldo Rodrigues, que com a família (esposa e sobrinha) transitava com seu veículo. Além de estarem foragidos, se forem presos cumprirão pena de no máximo 30 anos. Por bom comportamento sairão em 15. vale a pena então brincar com a vida alheia, destruir uma família, porque a sociedade permite que eles vão para a cadeia e saiam tranquilamente (se não fugirem antes) após algum período trancafiados aprendendo mais crueldade, já que a penitenciária ou cadeia são apenas mais um covil de aprendizado coletivo e formação profissional de ladrões, traficantes, sequestradores, estupradores, que propriamente um lugar que recupere alguém.

A sociedade permite porque não cobra de políticos, não age contra o pouco caso das autoridades e lamenta, sobre o caixão de seus parentes,  a falta de ação decorrente de sua própria inércia. Quanto aos ladrões de dinheiro público, o que falar dos senadores que foram punidos com perda de mandato, juiz do trabalho que teve prisão domiciliar, marqueteiro do ex-presidente “nunca sabe de nada” que sequer teve de devolver o dinheiro enviado ilegalmente para fora do país (muito além do que permite a Receita Federal, se você um dia quiser enviar alguma quantia para fora do Páis), do publicitário que montou o mensalão e é o único (talvez) que tenha de prestar contas para salvar o ex-ministro e figurão do Governo, dos deputados e senadores envolvidos, enfim.

Estadão, no último dia 13, publicou matéria sobre o desvio de dinheiro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por meio de horas extras cujos pagamentos superaram, inclusive, o salário dos ministros. Mais uma vez, se não fosse a imprensa o Acompanhem:caso seria encobertado. Como não feriu ninguém de seus interesses no Governo, o Estadão fez seu papel de fiscalizador, conforme texto publicado no portal Comunique-se.

Estadão denuncia pagamento de benefícios milionários e funcionários do TSE são exonerados

Da redação do Comunique-se
Após denúncia publicada no Estadão nesse domingo, 13, o diretor-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alcides Diniz, foi exonerado do cargo nesta segunda-feira, 14. O pagamento milionário de horas extras a funcionários do órgão foi um dos motivos que provocaram seu afastamento. A secretária de Controle Interno e Auditoria do TSE, Mary Ellen Gleason Gomide Madruga, também foi exonerada.

Reportagem do Estadão assinada por Felipe Recondo revelava descontrole no pagamento de horas extras aos colaboradores do TSE. Em novembro, por exemplo, os gastos despendidos nesses benefícios com 567 funcionários chegaram a R$ 3,8 milhões. Somando essa quantia aos salários-base, eles ganharam mais que os próprios ministros. De setembro a novembro, os adicionais geraram encargo extra de R$ 9,5 milhões.

Segundo a matéria, Mary Ellen aparece na lista de beneficiários de novembro e teria ganhado mais de R$ 26 mil. Assim, o site de O Estado de S. Paulo assegura que as duas exonerações anunciadas nesta segunda “estão diretamente ligadas ao pagamento de horas extras durante o processo eleitoral”.

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