Será que a imprensa vai?

Refinaria Paulo e Abreu, no recife, obras paradas...

Refinaria Paulo e Abreu, no Recife, obras paradas

Quem sabe se algum veículo de imprensa der o pontapé inicial os demais corram atrás e parem as lambição permanente e constante que vemos, ouvimos e lemos nos órgãos de imprensa.

A agremiação e seus membros que ocupa a presidência e importantes estados do país, bem como algumas das prefeituras mais importantes, como é o caso de São Paulo, sempre se vangloriou dos benefícios oferecidos para a classe mais pobre do país. Tirar as pessoas da pobreza, no meu singelo entender político, seria o de estabelecer metas para aumentar a produção, ampliar a riqueza geral da nação e distribuir melhor essa renda, promovendo, para os mais pobres, mais educação, melhor moradia, mais infraestrutura social, menos contato com a violência (mais segurança, portanto) e os conseguintes naturais desse processo.

Mas, em doze anos, a evolução foi decorrente de planos já estabelecidos, que foram ampliados, caso dos famigerados bolsas aqui, dali, de lá e de acolá, oferecidos  à população de baixa renda que se sentiu privilegiada com tais esmolas e pouco avançou, efetivamente, na escala social. Por outro lado, o resultado positivo dos anos dessa governança puderam aumentar o poder aquisitivo de uma classe social entre a baixa e a média, que hoje tem acesso a produtos nunca antes alcançados. Essa mobilidade e esse aumento da força do dinheiro na mão de uma parcela gigantesca da sociedade resulta na defesa dos nomes mais importantes da referida agremiação.

Por outro lado, quem tem a mente aberta sabe efetivamente que é preciso muito mais do que dar continuidade a uma metodologia de administração. À frente da economia, apesar dos ventos favoráveis, o país continuou com um crescimento pífio, perto dos BRICs, senão o pior índice entre eles. A movimentação social foi a menor também entre os países, já que, em terras tupiniquins, a vantagem e a soberba de quem está no poder é o desvio do dinheiro público custe o que custar. Assim como outros governos, de outra agremiações também,  o mal do brasileiro é acreditar no pouco que consegue subir nesta escala social. Só isso, para os brasileiros, já é suficiente para avalizar positivamente qualquer administrador, a ponto de se esquecer de olhar para o futuro.

Agora é hora de começar a olhar para trás e perceber que a farra pode acabar amanhã ou depois. A inflação já dá seus sinais e a roubalheira institucionalizada continua, sem qualquer tipo de voz contrária a apontar os descaminhos e os desvios comuns em obras marketeiras que propriamente obras de resultado prático. As metas fiscais, o controle fiscal são criticados como empecilhos que prejudicam os investimentos nessas obras, já que é preciso mais dinheiro, mais verba pública para girar a economia brasileira (solução quase sempre única para tirar o país de crise). Mas é bom ficar atento a este quesito, pois não será novidade para alguns incrédulos, como eu, que esse será o próximo ataque do atual governo para liberar as únicas amarras que impedem maiores desvios do dinheiro público.

Quem sabe, se as reportagens mostrarem a verdade e não abençoar declarações oficiais que serão milimetricamente ajustadas pata responder as denúncias, teremos condições de analisar com mais cautela afinal quem representa o que e quem neste governo e esperar que o povo (eu duvido) abra os olhos já que nem oposição existe mais neste país. A série do Fantástico pode contribuir, desde que, como eu disse, não fique lambendo o governo e deixe de aprofundar suas investigações. Material publicado no Comunique-se.

Sônia Bridi e Paulo Zero denunciam atrasos e altos valores de obras em nova série do ‘Fantástico’

Redação Comunique-se

A partir de próximo domingo, 8, o ‘Fantástico’, da Rede Globo, exibe a série de reportagens “Quem Paga é Você” sobre altos investimentos em infra-estrutura e a demora na entrega de obras públicas em todo o Brasil.

Comandadas por Sônia Bridi, as matérias denunciam o grande número de obras inacabadas e que, por causa dos atrasos, sofrem reajustes em seus valores. A jornalista e o repórter cinematográfico Paulo Zero viajaram, por exemplo, para Abreu e Lima (PE), onde visitaram a refinaria que seria inaugurada no ano passado, mas que está sem data para ficar pronta. Os gastos estão oito vezes maiores do que os do projeto inicial.

Na primeira reportagem da série, a equipe mostra o que está parado no setor de energia. No sudoeste da Bahia, o complexo eólico na região de Caetité já foi inaugurado, mas está inacabado por falta de um sistema de transmissão. No sul do país, a situação é ainda pior: em Charqueadas (RS), uma usina térmica comprada em 1987 nunca foi usada.

A série não será exibida em todos os domingos e ainda não há uma quantidade definida de matérias, já que elas estão sendo apuradas. A produção é de André Modenesi e de Ana Pessoa.

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Depois de “Diário do Clima”, Paulo Zero e Sônia Bridi estão em nova série de reportagens do ‘Fantástico’ 
(Imagem: Divulgação/Globo)