Na surdina

A taxa da inflação deste mês chegou, na última medição a 0,7%. Para um país cuja meta é 4,4% ao ano, o resultado da inflação medida no último mês é um tiro no pé do governo de Dilma Roussef. Na verdade, um tiro no pé do ministro da Fazenda, Guido Mantega, que, com suas medidas recentes, apenas reduziu a atividade industrial e, consequentemente, gerou um início de queda no consumo e na geração de emprego.

Nada que possa complicar se houver atenção em torno de situações simples da economia e seguir o roteiro simples de ajustar o caminho do trem – chamado Brasil – e recolocá-lo nos trilhos em alta velocidade. Mas, isso depende, é claro, de sabedoria e também de contar com uma equipe capacitada tecnicamente para fazê-lo. Neste caso, consultar a cartilha do Plano Real elaborado na gestão do ex-presidente Itamar Franco sob o cuidado do então ministro Fernando Henrique Cardoso.

Entre as bravatas do PT está a de que foi o governo do PT que ajustou a política econômica, tirando milhões de brasileiros da pobreza. Porém, todos sabem, mas muitos não querem enxergar, que após assumir o governo de forma popularesca, usou programas sociais desenvolvidos com cautela pelo governo anterior, para aprimorá-los e distribuir recursos públicos, criando, desta forma, o curral eleitoral funcionar nas campanhas que o partido disputa para conquistar poder.

Mas, quando se fala de economizar dinheiro público, os índices inflacionários sequer são citados nas conversas em qualquer escala governamental. Seja na União, seja nos estados ou municípios, a questão da corrosão do dinheiro público por causa dos 0,7% na subida do custo de vida não causa nenhum espanto. Nossos governantes e legisladores não se preocupam com o pobre trabalhador ou com a classe média, que gera recursos suficientes para bancar a roubalheira aos cofres públicos, enquanto as classes de cima, continuam sendo beneficiadas, ganham o que querem, pagam o que querem e sonegam o quanto podem…

Não faz diferença se são 0,7% ou 1000% ao mês para esses “nossos representantes”, porque, para eles, aumentar o salário do trabalhador pobre, ou dos aposentados, é uma discussão interminável, que não passa da reposição da inflação medida nos 12 meses anteriores. Já para eles, o aumento não pode ser menor que a casa decimal.

Os vereadores de São Paulo no apagar da luz de seus mandatos reajustaram os próprios salários em altíssimos percentuais. Tudo para que a categoria classista (de vereadores ou políticos, como queiram) seja sempre mantida sob um pedestal intopcável, porque é assim que esses nobres se sentem, quando se fala sobre seus cargos públicos.

Esse é só um exemplo, pequenino, de como a farra como dinheiro arrecadado com o suor do trabalhador, daquele que realmente gasta 125 dias do ano pagando impostos, é usado pelos nossos políticos. Eles que deveriam nos representar, transformaram o poder público em uma forma de se ganhar dinheiro, de oferecer benesses à familiares e amigos e manter os status financeiro e de poder, já que todos os brasileiros querem ser amigos de um político, nem que ele seja safado sem-vergonha e ladrão – esta última espécie em alta no País.

Por aqui a agora o “lance” é ser amigo de “bandido” para poder fechar ruas, meter medo nas pessoas, fazer “uma fita” ali ou acolá, levantar um dinheirinho e curtir bebidas, fumo e mulherada  com o “rap ou funk dos manos”. Lá em cima, é ter carrão, motorista, dinheiro, gasolina, passagem de avião, assessor e um bando de gente lambendo, querendo ou mostrando que é amigo dos poderosos.

Acompanhe algumas das manchetes sobre os ” pequenos aumentinhos” dados por eles a eles mesmos. Lembre-se isso é apenas uma demonstração, há muito mais, porque os índices de reajustes valeram em quase todos os municípios brasileiros. Por isso, se você sofre de algum problema emocional, leia com moderação:

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E claro não poderia faltar a Câmara de São Paulo:

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Não pense que são aumentos só para vereadores, o pacote inclui – quase sempre – os vencimentos de prefeitos, vice-prefeitos, secretários, assessores, chefes de gabinete entre outros cargos de primeira linha da administração pública. Já para os servidores, mais embaixo, a regra é a mesma válida para nós trabalhadores gerais, algo perto de 0% ou a reposição do índice inflacionário, apenas. O efeito cascata segue da Câmara dos Deputados e Senado federal, para Assembleias Legislativas e por último nos municípios. Ou seja, nossos contumazes políticos definem quanto querem dar de aumento a si próprios. Por isso, política é uma das melhores profissões no Brasil.

Também é prudente lembrar que a escolha desses personagens é feita por brasileiros. Então, quem é o bobo desta história? Por enquanto, o povo está preocupado com as festas de fim de Ano, de Carnaval e em curtir uma praia, uma cervejinha e ficar sem fazer nada. É como o político: quer ganhar muito e não fazer nada.