E o caso Caramante?

O barco pode ficar assim

O barco pode ficar assim

Partido de oposição, o PSDB é uma vergonha. Vergonha nacional e vergonha estadual. Além do governo paulista, há décadas nas mãos dos tucanos, ter perdido completamente o senso de direção, de boa administração e de atendimento às necessidades básicas da população, os líderes do partido não sabem se “pulam” da canoa furada ou se permenecem nela.

E sobram motivos para o partido perder o poder, cada vez mais próximo, em sua significância e de condução do maior Estado do país, tal a vagarosidade como as decisões internas são tomadas e, principalmente, pela falta de direção ou de um comando forte.

Não bastasse fazer uma oposição pífia contra o seu principal adversário, o PT, os tucanos assistem diariamente as acusações da mídia aos principais líderes do partido sem sequer uma mínúscula faísca brilhar nos olhos de seus integrantes, capaz de bater no peito e tomar a frente uma campanha para desmoralizar os líderes do partido vermelho. A mínima possibilidade de existirem documentos em poder de Márcos Valério ou de Carlinhos Cachoeira, comprovando a balbúrdia e o uso do poder público em benefício próprio ou de seus aliados, já seria arma para uma oposição forte, dura, constante, permanente, até para se chegar ao fundo do poço (ou ao tão bem guardado segredo dos partidários de Lula).

Mas o PSDB se tornou um partido fraco, sem representantes. Os poucos que sobraram estão mais preocuapdos com seus cargos políticos (que vão acabar afundando junto com a canoa furada) que propriamente em desmascarar ou promover um “Fora Lula” ou “Fora PT” já que o governo de Dilma Roussef, ainda que do PT, esteja somente apagando as “chamas” deixadas pelo seu antecessor. Por força de sua ligação com o antecessor, Dilma não pode negá-lo. Se com ele ficar, seria para a oposição forte, uma carta na mão para também acabar com a farra e a farsa petista de ser o “governo de todos”. Através dos programas sociais que dão migalhas, mas bem usados como moeda de troca, em torno do voto, o PT conseguiu mobilizar a sociedade e conseguiu fazer a cabeça e os corações de muitos brasileiros, até os mmais inteligentes.

Já o PSDB continua franzino, pequeno em sua própria pequenez de atuação em nível nacional. Sonha em ter no filho do ex-presidente Tancredo Neves, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, um nome capaz de derrotar Dilma na próxima eleição presidencial. Vago sonho, vago plano.

Enquanto o governador do Estado de São Paulo e o de Minas não mostrarem força e poder de dirigir efetivamente suas ações em seus erespectivos estados e obterem resultados positivos na educação, na saúde e na segurança pública, pouco se pode esperar na próxima campanha eleitoral.

Pessoas que hoje estão ocupando as filieras do PSDB são verdadeiras bombas relógio, que pouco contribuem para o nome e transparência do partido. O que dizer do caso Caramante? O jornalista que atuando na investigação ousou mostrar os mandos e desmandos do comandante da Tropa de Choque, coronel Telhada, foi ameaçado por seus comparsas (com farda ou sem) que insinuaram saber tudo sobre  o dia a dia dele, da esposa e dos filho. Este tipo de oficial, nas fileiras do PSDB, está pronto agora para atuar em nome dos seus eleitores na Câmara Municipal de São Paulo. Foi eleito, provavelmente, pelos muitos policiais militares que reclamam dos baixos salários, que querem ter a oportunidade de tirar o PSDB do governo do Estado. 

O agora político, coronel Telhada, atacará com sua verocidade os cidadãos que ousarem denunciá-lo, caso ele cometa algum deslize, ao usufruir das benesses do Legislativo? Enquanto isso, o PSDB, mesmo depois das denúncias, levadas a cabo pela imprensa, continua aceitando esse político em seus quadros? Que o fale a voz da urna, nas próximas eleições para o governo do Estado. A falta de ação, a falta de sensibilidade dos tucanos, o racha em torno de suas estrelas, que já não se entendem, está levando o partido ao desmoronamento e, como já ocorreu, entregando o controle da cidade e quiçá do Estado para os vermelhinhos.

Veja matéria publicada no Comunique-se sobre o caso Caramante.

Ameaças a André Caramante: Diretor do Estadão conta que Folha tem motivos para ficar em silêncio

Nathália Carvalho

O caso do repórter da Folha de S. Paulo, André Caramante, e a questão da segurança dos jornalistas no Brasil foi tema de discussão durante o seminário de comemoração dos 10 anos da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji). Presente na ocasião, o diretor do Grupo Estado no Rio de Janeiro, Marcelo Beraba, disse que a Folha provavelmente tem motivos para não tornar ainda mais público o caso.

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Marcelo Baraba foi o primeiro presidente da Abraji
(Imagem: Nathália Carvalho)

Caramante virou assunto no final do evento quando Sérgio Gomes, diretor da Oboré, questionou os profissionais sobre a situação do jornalista que está fora do país por sofrer ameaças após fazer uma reportagem sobre o recém eleito vereador da capital paulista, Coronel Telhada (PSDB). Em resposta, Beraba, que já foi ombudsman da Folha, explicou que o veículo não deixaria de noticiar um fato como este se não houvesse motivo. 

“Entre todos os jornais, a Folha é a que mais tem postura de tornar público assuntos como este porque ela entende que essa é a melhor forma de agir. Mas, neste caso específico, eles têm tido atitude de se reservar e não é sem motivo”, argumentou o executivo do Grupo Estado.

Da Universidade do Texas, Rosental Calmon Alves, que veio especialmente para o evento, compartilhou da mesma opinião e explicou que cada caso é um caso. “Às vezes vemos a situação de fora e achamos que não está sendo feito nada. Mas é muito importante ter cuidado ao criticar, porque às vezes faz parte da peculiaridade do caso”, disse. Ele explica que tornar público nem sempre é o melhor a se fazer. É exatamente assim que Fernando Rodrigues, jornalista da Folha de S. Paulo, pensa. “O ganho em ficar chamando a atenção para este episódio pode ser menos positivo para a segurança específica do profissional”, disse. 

O evento, que foi realizado na manhã de segunda-feira, 10, na Escola de Comunicação e Arte  da Universidade de São Paulo (ECA-USP), reuniu diversos estudantes e profissionais. Entre eles, o professor da USP Claudio Tognolli, Angelina Nunes (O Globo), Marcelo Moreira (TV Globo), e José Roberto Toledo (vice-presidente da Abraji).

Caso André Caramante
A história de André Camarante, que desenrola desde julho, ficou conhecida quando diversas pessoas começaram a ameaçar o jornalista pela publicação da matéria “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”, que denunciava Telhada. Depois disso, todos os textos assinados por Caramante passaram a ser bombardeados por comentários ameaçadores. 

Com 34 anos, sendo 13 dedicados à cobertura de pautas nas áreas de segurança pública, Caramante conversou com a jornalista da revista Época, Eliane Brum, e deu detalhes sobre a situação. ” [Estou escondido] desde o início de setembro. Os advogados do jornal encaminharam às autoridades uma solicitação de investigação sobre as ameaças. Alterei completamente minha rotina e minha localização”, explicou.

Embora não esteja na redação, Caramante segue com o trabalho normalmente. “Não estar fisicamente na redação me causa impedimentos que são irrisórios frente à necessidade atual de garantia da integridade, minha e da minha família”, disse ele à Época.

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